Cuidar para que a gestão da cadeia de suprimentos seja eficiente é uma prioridade para empresas que trabalham com serviços ou produtos. A organização é fundamental, uma vez que qualquer problema em um dos inúmeros estágios de uma produção pode causar um grande desequilíbrio e resultados insatisfatórios.

Alguns dos maiores desafios que as empresas enfrentam são saber como nivelar a oferta e a demanda e fazer uma previsão acertada das necessidades dos clientes. Esses conhecimentos impactam diretamente na gestão do estoque, na produtividade e em todos os processos da cadeia.

Entretanto, é comum que aconteça uma discrepância entre a quantidade de pedidos para a produção e o número de vendas para o consumidor final. Essa irregularidade é conhecida como efeito chicote, um fenômeno que pode interromper o fluxo harmônico da cadeia de produção e causar flutuações, instabilidades e também prejuízos para uma organização.

Se você ficou curioso e gostaria de saber mais sobre o assunto, continue a leitura, conheça as causas do efeito chicote na cadeia de suprimentos e que estratégias você pode adotar para combatê-lo em seu negócio. Acompanhe!

O que é efeito chicote?

O efeito chicote acontece quando existe uma disparidade entre as reais demandas dos consumidores e o que foi previsto. Empresas dependem de informações corretas sobre as necessidades dos clientes a fim de preparar seus estoques e alimentar sua produção para, assim, poder atender a todos.

Entretanto, quando a informação é distorcida ou simplesmente quando a previsão de demanda não se concretiza, uma sucessão de eventos pode atrapalhar o fluxo da cadeia de suprimentos: excesso ou falta de produtos no estoque, prejuízos, confusão no sistema de logística, falha ao cumprir o cronograma de produção, entre outros aspectos.

Imagine que uma pessoa vai ao supermercado comprar uma caixa de pasta de dentes. Chegando lá, se depara com uma grande promoção e acaba levando 10 caixas de pastas de dentes em vez de uma só. Provavelmente, ela não voltará a comprar esse produto tão cedo, pois adquiriu mais do que realmente precisava e estava apenas aproveitando uma oportunidade.

Contudo, para a empresa, esse dado pode ser interpretado como um aumento repentino na demanda do cliente. Isso pode fazer com que os gestores decidam comprar mais insumos para produzir mais pastas de dentes. Consequentemente, podem acabar tendo um encalhe no estoque, pois planejaram suas compras baseados em uma falsa impressão.

O contrário também pode acontecer: se não conseguir fazer uma previsão correta da demanda, uma empresa pode sofrer com falta de insumos para a produção e, assim, não conseguir suprir seus pedidos.

O que contribui para que o efeito chicote aconteça?

Existem muitos fatores que podem causar o efeito chicote na cadeia de suprimentos e prejudicar o andamento de um negócio. Conheça as principais razões:

Previsão de demanda

Informações imprecisas baseadas em demandas passadas ou em uma coleta de dados pobre têm grandes chances de resultar em um erro na previsão da demanda. O ideal é investir em técnicas e estratégias de estudo de mercado que possam avaliar com clareza as tendências futuras, levando em consideração as flutuações que sempre acontecem ao longo do tempo.

Variações de preço

Promoções e descontos feitos pelos varejistas podem atrapalhar o padrão regular de compras, uma vez que os consumidores, a fim de aproveitar a oportunidade, consumirão mais durante um período de tempo. Essa informação deturpada causa desequilíbrio na produção.

Disponibilidade dos produtos

Quando um varejista prevê uma possível escassez de um produto, ele tende a aumentar consideravelmente seus pedidos para garantir a disponibilidade desse item para seus clientes.

Como resultado, empresas se preparam para essa demanda, aumentando sua produção. Porém, seus clientes varejistas, com um estoque em alta, provavelmente não farão novos pedidos no próximo ciclo de compras, o que fará com que a indústria fique com um acúmulo além do necessário.

Pedidos em lotes

Muitas empresas têm como praxe acumular pedidos para reduzir custos com o processamento das ordens de compra e o transporte. Ou seja, quanto maior for o pedido e a quantidade de itens transportados, melhor pode ser o desconto.

Esse hábito pode ser prejudicado pela variação. Se uma empresa costuma fazer os pedidos periodicamente de uma vez só, pode não estar preparada para um aumento súbito da demanda ou para uma queda inesperada de pedidos por parte do varejista.

Quais são as consequências do efeito chicote na cadeia de suprimentos?

Como já é de se esperar, o efeito chicote provoca diversas consequências para uma operação — afetando até mesmo os envolvidos na cadeia de suprimentos — e, de maneira geral, essas influências são negativas. Entre as principais, podemos citar:

Aumento do custo do estoque

Com o aumento da variação do volume de pedidos, uma das principais soluções de curto prazo encontrada pelos gestores é preparar a operação para estocar mais quantidades dos itens, visando alcançar a capacidade de atender o nível máximo de pedidos que podem surgir em um período.

Entretanto, existe a possibilidade de a demanda ser menor do que o esperado, causando a queda no volume de vendas e, consequentemente, na saída dos produtos. Dessa forma, o estoque fica “inchado”, elevando os custos operacionais.

Sem contar o fato de que esses excessos aumentam os riscos de perdas por avarias, perecibilidades, obsolescências, validade, entre outros.

Imprevisibilidade do lead time de ressuprimento

A instabilidade causada pelo efeito chicote na cadeia de suprimentos também prejudica a elaboração de um cronograma regular para o envio de pedidos aos fornecedores. Em outras palavras, torna-se mais difícil prever quando e em quais quantidades as aquisições serão feitas.

Da mesma forma, isso afeta o fornecedor, que passa a sofrer com as oscilações na demanda e pode perder a capacidade de atender o fluxo de pedidos, principalmente quando eles estiverem bem acima do esperado.

Aumento nos custos de transporte

Aqui, o problema está ligado não somente à imprevisibilidade do volume de pedidos, mas também à amplitude em que eles ocorrem, ou seja, pode ser que seja necessário fazer mais pedidos do que o normal em um período — a fim de atender a variação na demanda.

Isso é sinônimo de custos extras com o transporte para recebimento e envio de produtos.

Variações na disponibilidade dos produtos

Por falar em variações, elas também ocorrem na disponibilidade dos produtos para vendas. Quando isso ocorre, existem chances muito grandes de manter um estoque excessivo de determinados itens ou sofrer com a falta deles.

Se, por um lado, o excesso eleva o risco de perdas, por outro, a falta acarreta perda nas vendas. Além do prejuízo operacional que isso ocasiona, a empresa também lida com a insatisfação e a possível perda dos clientes — que procuram os concorrentes para ter sua demanda atendida.

Desgaste no relacionamento com os parceiros de negócios

Como já foi dito, o fornecedor também sofre as consequências do efeito chicote. Sendo assim, quando a variação se torna rotina — da mesma forma que a urgência em atender pedidos em curto prazo —, a possibilidade de acontecer alguma falha é muito grande.

Quando isso ocorre, cria-se um estresse na relação, aumenta-se os desentendimentos e a qualidade do relacionamento despenca. No médio prazo, pode haver a ruptura da parceria e um desgaste ainda maior com a abertura de um novo processo de seleção de fornecedores (e todas as incertezas que cercam a decisão, principalmente relacionada à qualidade dos produtos e cumprimento prazos).

Como prevenir ou solucionar essa situação?

Uma gestão coordenada da cadeia de suprimentos ajuda mitigar o efeito chicote e seu impacto na produção. Além da organização e comunicação alinhada entre todos os envolvidos na cadeia, alguns pontos podem ser trabalhados para que o desempenho como um todo seja aperfeiçoado. Confira algumas dicas:

Alinhe suas estratégias internas

Estratégias de marketing e até mesmo políticas internas, como ações do departamento de vendas para bater metas, podem gerar o efeito chicote, pois influenciam diretamente no número de pedidos.

O ideal é que os gestores se comuniquem de forma clara e estejam com as ideias alinhadas. Na hora de fazer as análises periódicas, é preciso avaliar dados e gráficos considerando as ações internas que foram feitas a fim de não levantar números errados e distorcidos.

Esteja em sintonia com todos os envolvidos na cadeia

Para que o fabricante não caia na armadilha da escassez do produto, pode ser útil compartilhar informações sobre os níveis de produção e estoque com os clientes varejistas para que estes, por outro lado, repassem dados sobre a previsão de demanda dos seus pontos de venda.

Crie um sistema de comunicação e compartilhamento de dados, envolvendo todos os parceiros e estabelecendo um trabalho cooperativo. Essa iniciativa aperfeiçoa as operações de ambos os lados e todos saem ganhando.

Otimize o desempenho das operações internas

Processos internos podem ser otimizados com a adoção de sistemas digitais que permitem um maior controle do nível do estoque e ajudam a prever a demanda do cliente de uma forma mais eficaz.

Para lidar com a questão dos pedidos em lotes, invista em transportadoras que trabalham com cargas fracionadas e operadores logísticos especializados em serviços de distribuição. Dessa forma, a empresa não precisa fazer pedidos muito grandes para conseguir um preço melhor no custo com transporte.

Estabeleça uma relação de confiança com seu fornecedor

Tratar fornecedores como parceiros de negócios e estabelecer uma boa relação com eles é fundamental para que ambos possam pensar em estratégias e ações conjuntas nas quais ambas as empresas se beneficiam.

Dessa maneira, o fornecedor se sentirá valorizado pela empresa e fará de tudo para contribuir para a melhor performance da produção, ajudando a empresa a identificar possíveis sazonalidades, variações e futuras demandas.

Como usar esse efeito para reduzir os custos na cadeia de suprimentos?

Já conhecemos o lado ruim do efeito chicote e todas as influências negativas que ele proporciona para uma cadeia de abastecimento. Contudo, é possível usá-lo como um diagnóstico dos processos e identificar quais ações precisam ser tomadas para corrigir os gargalos.

Nesses casos, é possível obter ganhos de eficiência, ao mesmo tempo em que se consegue alcançar a redução de custos. Para que isso se torne possível, é necessário:

Investir em tecnologia

A automação dos processos promove ganhos em produtividade, eficiência, redução de erros e da necessidade de retrabalho, e diminuição de desperdícios e de custos operacionais.

Indo além disso, o investimento em ferramentas de gestão facilita a troca de informações entre processos, áreas, pessoas e empresas, aumentando o alinhamento e a colaboração entre todos os envolvidos.

Na prática, para que isso se torne possível, é necessário que todos estejam envolvidos com os objetivos, compartilhando dados, fazendo uma gestão mais participativa e cooperando para que as metas sejam alcançadas — o que está dentro do conceito da gestão de uma cadeia de suprimentos.

Redirecionar a estratégia

Se as ações atuais não estão dando resultados, é o momento de analisar a necessidade de desenvolver novas estratégias. Aproveitar a participação de todos os envolvidos no abastecimento é uma excelente forma de conseguir otimizar os recursos, os gastos e os resultados alcançados (de ponta a ponta).

Mapear os processos

O mapeamento de processos é uma excelente ferramenta de gestão, que — por meio do estudo dos métodos de trabalho — permite identificar onde os gargalos se encontram e quais são as possíveis causas.

A partir das informações levantadas, o gestor consegue saber melhor quais ações de correção e melhorias precisam ser adotadas. Isso é um grande passo para aprimorar as operações, ao mesmo tempo em que se consegue reduzir os custos.

Realizar análises

As análises sempre são a melhor forma de identificar o que há de errado em uma operação e o que precisa ser feito para otimizar os resultados. No que diz respeito ao efeito chicote, existem algumas delas que podem auxiliar, como:

  • previsão de demanda — que precisa ser revista com uma frequência maior;

  • histórico de vendas — que ajuda a encontrar uma média dos períodos passados e ajustar o volume de pedidos atual;

  • giro dos produtos — consiste na avaliação de qual é o tempo médio de permanência dos itens dentro do estoque, até que seja necessária a reposição. Isso ajuda a identificar o momento ideal de passar o pedido para o fornecedor com as quantidades adequadas de cada produto.

Acompanhar indicadores de desempenho

Os indicadores de desempenho (conhecidos como KPIs) também são uma excelente ferramenta de gestão, haja vista que permitem analisar os resultados de processos relevantes para os negócios e direcionam o gestor para uma tomada de decisão mais acertada.

Com as informações em mãos, o gestor consegue destacar pontos de ineficiência e elaborar ações mais direcionadas que possuem chances maiores de solucionar as falhas identificadas.

Para que eles sejam mesmo úteis na eliminação do efeito chicote e na redução de custos, vale lembrar que o ideal é controlar somente os KPIs que forem relevantes para a estratégia adotada.

Uma gestão bem-sucedida da cadeia de suprimentos acontece quando se tem visibilidade, comunicação aberta e acesso rápido a novas informações e tendências. Assim, é possível minimizar riscos de um estoque excessivo ou insuficiente, afastando o perigo do efeito chicote na cadeia de suprimentos.

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